sábado, 4 de dezembro de 2010

DEPOIS DO SOL

DEPOIS DO SOL
 
Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério. . .
 
Tudo imóvel. . . Serenidades. . .
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!

 


Oh! Paisagens minhas de antanho. . .
Velhas, velhas. . . Nem vivem mais. . .
— As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho. . .
 
Seres e coisas vão-se embora. . .
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora
Pelos silêncios a sonhar. . 
.
CECÍLIA MEIRELES


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